Todos
os anos, pela festa de Nossa Senhora do Rosário (sete de
outubro), Dom
Bosco leva aos Becchi seus melhores alunos: uns vinte, nos primeiros
anos. Depois, o número cresceu: de 1858 em diante, chegava a
uma
centena.
“Nos
primeiros dias de outubro – escreve o padre Lemoyne
–, partia do
oratório a turma dos cantores, dos músicos e de
outros alunos. Cada
qual levava num pequeno embrulho a roupa necessária para as
férias, pão
queijo e frutas.”
Hospedava-os
o irmão José (irmão de Dom Bosco, que
continuou na propriedade da
família, no campo), sempre cordial, sempre disposto a fechar
os olhos
quando os rapazes invadiam a vinha para lhe diminuir o trabalho da
vindima...
No
primeiro domingo de outubro celebrava-se a festa. No dia seguinte,
começavam os passeios, que se prolongavam por dez, vinte e
mais dias.
Até
1858, o quartel-general ficava nos Becchi de onde saíam de
manhã para uma aldeia não muito distante, votando
à noite.
A
partir de 1859, os passeios se transformaram em verdadeiros
“itinerários” através das
colinas de Monferrato. Dom Bosco preparava o
roteiro com antecedência: párocos e benfeitores
estavam sempre prontos
para acolher a turba faminta e cansada. A viagem se desenrolava pelas
estradas do campo, entre colinas e vinhedos. Caminhavam em grupos,
cantando, rufando tambores, tangendo burricos que portavam no lombo os
cenários e os bastidores para as
representações teatrais. Atrás de
todos seguia Dom Bosco, rodeado sempre por um bom grupo de jovens que
não se cansavam de ouvi-lo contar a história das
aldeias por onde
passavam.
Chegada
à meta, a turba se punha em ordem. E, com a banda de
música à frente, entravam solenemente no povoado.
“Não
posso esquecer aquelas viagens aventurosas – escrevia o Padre
Anfossi.
– Éramos uma centena de rapazes e já
então podíamos ver a grande fama
de santidade de que gozava. Sua chegada naqueles lugares era um
triunfo. Os párocos dos arredores acorriam à sua
passagem e,
geralmente, as autoridades civis também.”
“Os
moradores se achegavam às janelas ou saíam
às portas das casas; os
camponeses deixavam os trabalhos para verem o Santo.; as
mães se
aproximavam apresentando os filhinhos e, genuflexas, mesmo por terra,
pediam lhe a
benção. Como o nosso costume era
ir diretamente à igreja paroquial para adorar Jesus
Sacramentado, em
breve o templo ficava repleto de fiéis, aos quais Dom Bosco
fazia uma
alocução. Cantava-se, depois, o Tão
Sublime Sacramento e dava-se a benção
do Santíssimo”.
A
seguir comia-se uma matula bem reforçada, à moda
dos colonos: o povo
trazia generosamente para aqueles rapazes cestas de frutas, enormes
pães de fôrma caseiros, queijo e jarras de vinho.
Dormia-se
debaixo de telheiros ou em salões, estirados sobre sacos de
folhas ou na palha.
Aqueles passeios foram
aventuras inesquecíveis, para os meninos, e,
para Dom Bosco, a “carta de
apresentação” aos povoados do
Monferrato,
dos quais conseguiu levar para o oratório
esplêndidas vocações
salesianas.